Somos uma geração conecta aos dispositivos móveis. Passamos cada vez mais tempo consumindo conteúdo com e através deles. E agora que a pesquisa por voz deixou de ser tendência e passou a fazer parte do cotidiano, como sua empresa pode se preparar?

Sua empresa está pronta para a pesquisa por voz?

O voice search ou pesquisa por voz é um recurso disponível em smartphones e assistentes virtuais cujo uso tem crescido cada vez mais conforme aumenta o uso desses dispositivos na sociedade. Segundo pesquisa do próprio Google, 41% dos adultos (e 55% dos adolescentes) usam a pesquisa por voz diariamente. Além disso, 20% de todas as consultas feitas pelo celular, são feitas por meio da voz.

As pesquisas por voz aumentaram 35x desde 2008, segundo o relatório Internet Trends Report de 2018. Até mesmo os desktops entraram na conta, com 25% de todas as pesquisas na área de trabalho do Windows 10 sendo feitas por voz, segundo Branded3. Com isso, a Comscore estima que ainda em 2020, 50% de todas as pesquisas serão de voz.

Uso de assistentes de voz Siri da Apple, Google Assistant, Alexa da Amazon, Cortana da Microsoft tem crescido muito também. A sua empresa deverá estar atenta a essa mudança, identificando como a audiência está usando a pesquisa por voz nos dispositivos. Também diferenciando esses comportamentos de pesquisa conforme o momento e a demanda, para poder entregar o que ela procura e no momento certo.

Lembrando que, mesmo que as pessoas usem esses recursos para comandos por voz ou para pesquisas, esses usos eles estarão incorporados a rotina das pessoas. Então há a necessidade de se preparar e estar presente em todos esses momentos.

Quando a pesquisa por voz é usada?

Existem dois principais momentos onde a pesquisa por voz é mais comumente usada. Se de um lado há um grande número de pesquisas sobre banalidades e curiosidades, também há o uso frequente para tarefas cotidianas e do tipo “perto de mim” ou “o que fazer”. Segundo a pesquisa da HigherVisibility, um terço dos usuários utilizam comandos de voz pois consideram mais prático do que digitar. Também utilizam em momentos onde não estão olhando para a tela do aparelho, como quando estão dirigindo.

O usuário está em casa com amigos e surge um questionamento sobre um fato curioso? Já é cada vez mais comum que eles recorram ao smartphone e ao assistente virtual para tirar essa dúvida. O mesmo ocorre quando ele precisa encontrar um lugar próximo para pedir uma pizza ou quando está na rua e precisa de locais próximos para determinadas atividades. Até mesmo quando ele já sabe onde quer ir, mas precisa saber se está aberto, se necessita de reserva ou outra questão relevante para sua tomada de decisão. De forma geral, quando precisa de uma resposta rápida e que atenda as expectativas. São nesses momentos que os recursos da pesquisa por comando de voz serão mais utilizados.

De acordo com levantamentos do Google, as pesquisas por voz realizadas com maior frequência através do voice search tem temáticas como lugares (“Pizzarias abertas no feriado em Curitiba”), clima (“Está frio ou qual a temperatura na minha cidade hoje?”), traduções (“Como se diz arroz em inglês?”), esportes (“Que horas será o jogo do [meu time]?”), câmbio (“Quanto é 500 reais em dólar?”), operações matemáticas (“Quanto é 2780 dividido por 7?”), curiosidades (“Quem inventou o macarrão?”), eventos (“Quando começa a primavera?”) e fotos (“Imagens de uma animal exótico”) e assim por diante.

Já nos assistentes virtuais domésticos, os principais comandos são aqueles para ativar alarmes, tocar músicas, ligar para determinado contato, checar a agenda de compromissos e saber a previsão do tempo. Nos veículos, as preferências estão pela pesquisa de informações sobre trânsito em determinada região, previsão do tempo, troca de música e lugares para comer.

O que está por trás dessa transformação?

Somos uma geração mobile

Esse movimento está ligado ao aumento da penetração do smartphone. O Brasil lidera o uso de entre países emergentes, segundo um relatório publicado pelo Pew Research Center. Com penetração de 60%, nosso país aparece no topo da lista. No grupo de pessoas entre 18 e 34 esse valor é ainda maior, com uma taxa de penetração de 85%.

A pesquisa por voz é perfeita para o mobile

60% dos usuários de dispositivos móveis usam a pesquisa por voz pelo menos “algumas vezes” (Mobile Voice Usage Trends 2018). Isso ocorre pois, a pesquisa por voz é mais conveniente. Mais da metade dos entrevistados afirmaram que usam a pesquisa por voz para “não precisar digitar” (Mobile Voice Usage Trends 2018).

É mais rápida

Digitar “qual a altura do prédio mais alto do mundo” em um smartphone pode ser um incomodo em algumas situações. Dizer a mesma frase em voz alta e ser respondido pelo celular ou assistente virtual, agiliza em muito o processo. Pois pesquisar por voz é 3,7x mais rápido que digitar, segundo pesquisa do buscador Bing.

Portanto, é claro que a pesquisa por voz não é apenas hype. É uma mudança legítima e que afeta diretamente a forma como as empresas vendem e atendem os seus consumidores.

Como a pesquisa por voz afeta o marketing?

Aqui precisamos falar um pouco sobre o conceito de “Micro momentos”, apontado pelo Google. Ele são aqueles em que a pessoa está tomando uma decisão e possui necessidade de respostas rápidas e relevantes. São eles:  “momento eu quero ir”, “momento eu quero aprender”, “momento eu quero comprar” e “eu momento quero fazer”.

A sua empresa precisa fazer parte dessa jornada, não apenas ofertando produtos, mas fazendo entrega de conteúdo de valor. Esse conteúdo vai conduzir a audiência ao estado em que suas necessidades serão atendidas. Nesse caso, a venda será consequência de uma presença bem construída. Falaremos disso mais adiante.

Com o usuário buscando cada vez mais a busca por voz, o Google tenderá a “ler” em voz alta. Dessa forma, respondendo os questionamentos do usuário usando os primeiros resultados. E, portanto, se o Google passa a ser uma ferramenta de respostas imediatas, o tráfego orgânico do seu site tenderá a cair.

Conforme o próprio Google já aponta, as pesquisas “perto de mim agora” cresceram 150% nos últimos dois anos. Além disso, as pessoas têm uma probabilidade significativamente maior de usar a pesquisa por voz em locais públicos (como um restaurante, na academia e até em um banheiro público) em comparação com o ano passado. Todos esses comportamentos afetam a maneira como as empresas devem otimizar o conteúdo para SEO.

Além disso, a pesquisa será mais longa, mais “conversacional”. Isso fará com que o trabalho de marca, de entrega de conteúdo relevante e em diferentes formatos, junto com o relacionamento que as marcas terão que ter com os seus consumidores, deverá ser maior. A oferta de produtos por si só não será mais suficiente para suprir as necessidades dos novos consumidores conectados. Eles querem mais e estão propensos a pagar caro e serem mais fiéis por isso.

Uma prova desse movimento irreversível, é a empresa Wal-Mart, que já faz parceria com o Google para oferecer compras por voz. A Target americana também está alinhada com o Google, permitindo que os compradores vinculem suas contas para que comprem no usando o Google Assistant.

Como preparar o marketing da sua empresa para pesquisa por voz?

Trabalho de marca/branding

As pessoas poderão perguntar ao Google qual melhor restaurante em determinada região. Porém, tenderão a optar por aqueles cuja marca já tenham ouvido falar. Seja por reforço da propaganda ou em conversas com amigos. Com isso, sua empresa deverá ter uma marca forte e um posicionamento estabelecido na mente do seu consumidor.

Portanto, mesmo que as pessoas sejam atingidas por conteúdos de informações básicas ocasionalmente, a marca deverá já estar fazendo parte do cotidiano delas para atingir esse patamar de reconhecimento.

Produzir conteúdo é obrigatório

Se você já acompanha os nosso blog, sabe que não é novidade a obrigatoriedade de gerar conteúdos. É nos conteúdos que a sua empresa se aproxima da sua audiência, mostra que entende do assunto e responde às dúvidas e dores do consumo. Quantidade, consistência, qualidade. Caso contrário, será cada vez mais difícil colocar seu conteúdo na frente das pessoas, ou seja, nas primeiras posições do Google.

Fale como o seu público fala

Procure por palavras-chave de “idioma natural”. Na pesquisa por voz as pessoas usarão linguagem do dia a dia, podendo incorrer em abreviações, regionalismos e gírias. O trabalho de pesquisa de palavras-chave deverá levar esse comportamento em consideração. Palavras muito robotizadas e formais poderão não ser usadas uma vez que, como mencionado anteriormente, a pesquisa por voz é feita em momentos diversos. Isso inclui momentos na rua ou próximo ao consumo, onde a pessoa estará fazendo outras coisas, andando de Uber, caminhando ou finalizando uma reunião de trabalho. Isso não quer dizer que deva abrir mão de palavras-chave longas. A pesquisa por voz tende a ser feita como uma conversa. Por isso, o conteúdo deverá conter variações de sentenças maiores mesmo que priorize as palavra-chave habituais. 

Escreva para um nível de leitura da 9ª série (ou abaixo). Isso significa que você deseja evitar jargões e palavras bonitas no seu conteúdo ou meio corporativo. Contudo, isso não quer dizer que o conteúdo deverá ser produzido de qualquer jeito, é sempre bom saber que uma escrita clara também ajuda a sua classificação na pesquisa por voz.

Segmente palavras-chave de pergunta

Acima de tudo, seu conteúdo precisa ser a resposta para as dores e anseios dos usuários. Isso já é verdade no conteúdo para consumo via leitura e será ainda mais nas pesquisas por voz. Dessa forma, se faz necessário construir uma wiki ou página de perguntas mais frequentes (FAQ) e alimentá-la à medida que conversa com seu público. Isso deve ser feito para entender o que e como pesquisam.

Logo, é necessário se colocar no lugar do seu público. Pergunte mais, responda mais e aproveite todos os insumos de dados das áreas de SAC, suporte e atendimento ao cliente.

Respostas concisas

Inclua respostas curtas e concisas no seu conteúdo. As pesquisas por voz são mais naturais e menos robóticas que as pesquisas pelo teclado. Nas páginas de produtos e serviços, pode-se optar por criar uma por serviço ou produto com até 30 palavras respondendo dúvidas pontuais. Também pode-se investir em páginas de perguntas mais frequentes, como já mencionado.

Além disso, seu site deverá ser um grande repositório de dúvidas sobres como seus produtos ou serviços resolvem os problemas das pessoas. Não espere que seu público vai aprender coisas em outros sites e, milagrosamente, considerar a sua marca. “Pegar” na mão do seu público e conduzir ele até o que precisa, fará com que ele naturalmente considere sua marca na hora de fechar. Porque, além de construir autoridade junta a ele, por ser uma marca que “sabe de tudo”, sua empresa se antecipa e entrega valor antes mesmo dele ser cliente.

Palavras-chaves de cauda longa

As palavras-chaves de cauda longa são aquelas geralmente formadas por três ou mais palavras. Dessa forma, criando uma pequena frase e representando uma pesquisa mais personalizada. Tais palavras representam uma forma de se diferenciar tanto com a compra de palavras-chave no Google quanto com a execução de boas práticas de SEO. Com isso, você ajudará o Google a entender que o seu conteúdo atende a dúvida do usuário, mesmo que específico.

Aposte em conteúdos do tipo “perto de”

É importante incluir palavras de preenchimento, como “de”, “a”, “para”, “quando” e “qual”. Além de reforçar conteúdos do tipo “perto de mim”. Tenha um trabalho local com referências e pontos turísticos. Isso fará com que seu conteúdo seja considerado quando o público usar referências pouco usuais como “pizzaria perto do Jardim Botânico”, por exemplo.

Aposte nos conteúdos em áudio e vídeo

Tenha conteúdos em áudio e vídeos associados aos conteúdos de texto. Com isso, facilitará o consumo do conteúdo quando o público estiver em trânsito ou na rua. Ele também poderá optar por ouvir o seu conteúdo caso necessite de mais dados enquanto ele realiza outras atividades. Essa estratégia se torna evidente ao ver o aumento do consumo de conteúdo por áudio. Pois não ocorre somente em pesquisa, mas também no crescimento dos podcasts e serviços de streaming de música.

Faça parcerias

Conte como uma parceira como a Motion Publicidade para construir todo o planejamento. Os processos e as estruturas vão desde a construção do branding, reformulação do seu site e blog, até a produção de conteúdos em todos os formatos necessários. Também atendendo as demandas do seu público com vídeos, áudios e textos. Os mesmos já otimizados para os mecanismos de pesquisa, como o Google e responsivos, podendo ser lidos em qualquer dispositivo.

Conforme vimos, a pesquisa por voz e o uso de assistentes virtuais comandados por voz é um movimento irreversível. Assim como os aplicativos e mensagem, ela mudará completamente a forma como nos comunicamos, relacionamos e vendemos. Resta a sua empresa se adaptar e tirar proveito desse movimento usando as ferramentas e estratégias corretas.