Um dos principais desafios do empreendedor é adequar a vontade de empreender à situação econômica do país. Esse fenômeno está associado a um grande volume de oportunidades, criatividade e aceitação de riscos.

Conforme uma pesquisa divulgada pelo Global Entrepreneurship Monitor (GEM) em parceria com o Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas ), 36% dos indivíduos adultos no Brasil já realizaram atividades empreendedoras. Esse percentual fez a Taxa de Empreendedorismo Inicial (TEA) chegar a 8ª colocação (19,6%) num grupo de 32 países “impulsionados por eficiência” e a 10ª entre 65 países pesquisados.

Mesmo com índices tão significativos, que evidenciam o crescimento empresarial no país, a qualidade dos empreendedores brasileiros é inferior quando relacionada a fatores como percepção pela necessidade de inovação, grau de escolaridade e nível de qualidade produtiva que justifique a permanência da empresa em mercados competitivos.

A ideia deste artigo é abordar os principais desafios na rotina e na carreira do empreendedor e mostrar como superá-los para melhorar o desempenho do seu negócio. Confira!

Quais os desafios do empreendedor no Brasil?

Estudos mostram que a sobrevivência organizacional está associada a fatores como conjuntura econômica, eficiência na gestão e características empreendedoras. A partir disso, separamos sete desafios que todo empreendedor deve enfrentar para se manter ativo no mercado.

1. Definir o ramo de atuação

O primeiro passo para o sucesso é encontrar um ramo de atuação em que o empreendedor imprima satisfação ao desempenhar as suas funções. É imprescindível gostar do que faz e dominar a execução de todas as tarefas para conseguir monitorar outros profissionais e alcançar bons resultados.

Faça uma lista de atividades relacionadas as suas habilidades, escolha um nicho e verifique se há demanda de mercado para alcançar resultados que justifiquem o investimento.

Utilize ferramentas como o Google Trends ou o Google Keyword Planner, por exemplo, que apontam as palavras-chave mais buscadas em determinado período de tempo. Amplie a busca para os últimos 12 meses para não investir em demandas sazonais.

2. Gerenciar pessoas

De acordo com a pesquisa Desafio dos Empreendedores Brasileiros, da Endeavor, as pessoas são consideradas o maior ativo de uma empresa por quase 70% dos empresários entrevistados.

Isso porque é importante manter a satisfação no trabalho por meio de ações motivacionais — salários atrativos, promoção de cursos de qualificação, rotinas amparadas por Normas Regulamentadoras de Segurança do Trabalho e pelo regime da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).

Além disso, é importante disponibilizar ferramentas que facilitem o processo de automação e o fluxo de informações entre os setores e promover a formação de lideranças dentro do quadro organizacional, de modo a descentralizar decisões e favorecer o crescimento orgânico da empresa.

3. Formalizar o negócio

Em outra pesquisa, realizada pelo Banco Mundial, o Brasil é o 6º país com processo mais burocrático para abertura de empresas num total de 133 países. A ação é realizada em um prazo de 152 dias, em que são exigidos 17 procedimentos burocráticos diferentes (reunir documentação, entregá-la em repartições públicas e pagar taxas obrigatórias). Na Austrália, esse prazo é de dois dias.

Também é fundamental manter impostos em dia e formalizar a contratação de funcionários.

Impostos

A estrutura tributária no país é uma das maiores do mundo, composta por cerca de 50 impostos diferentes, entre taxas e contribuições que reduzem a competitividade dos produtos no mercado externo e justificam o alto índice de informalidade no Brasil.

Contratação

O custo de contratação formal de funcionários também desincentiva o empreendedorismo. Para cada salário pago ao contratado, outro é pago ao governo para quitar os impostos trabalhistas (103% incluindo encargos).

A empresa passa, então, a não tem condições de pagar um salário adequado aos seus colaboradores e optam por assinar a carteira de trabalho com o mínimo para garantir assistência previdenciária em caso de imprevistos (acidentes, maternidade) ou aposentadoria.

4. Controlar o fluxo de caixa

O controle de fluxo financeiro consiste em levantar as contas a pagar em função do total a receber. Deve ser um relatório integrado com extratos bancários e quem realiza o procedimento precisa receber e repassar informações para os demais setores da organização: vendas, atendimento, produtivo, executivo, entre outros.

Um fluxo controlado demonstra liquidez do negócio, capacidade de pagamento e possibilidade de crescimento da empresa no mercado, já que possibilita o conhecimento de valores necessários para aquisição ou investimento.

5. Adquirir financiamento

A burocracia inerente à aquisição de linhas de crédito junto aos bancos faz com que muitos empreendedores limitem seus investimentos ao capital próprio. Por esse motivo, a maioria das pequenas empresas é aberta por ex-funcionários do mesmo segmento em que atuavam.

Com o surgimento de Fintechs, esse processo começa a ser facilitado. Existem ainda, aceleradoras de startups, Investidores anjo e sites de crowdfunding que podem auxiliar novos empreendimentos nesse sentido, desde que apresentem o fator inovação como parte de seus produtos e processos de criação. 

6. Analisar a concorrência

Analisar a concorrência é um grande desafio, já que existem ferramentas inovadoras que propiciam seu levantamento, mas que, por conta da tecnologia, é dificilmente superado pelas empresas.

Com o surgimento do mercado online, a concorrência passou a ser extremamente acirrada e, apesar de os clientes terem seus hábitos de consumo facilmente mapeados, devido a todas as possibilidades, esse contexto pode se alterar facilmente.

Portanto, é cada vez mais difícil estabelecer o posicionamento da empresa no mercado, fidelizar clientes e definir seus concorrentes. Em contrapartida, é possível criar um diferencial por meio de estratégias pautadas pela qualidade no atendimento, autoridade da marca ou ações promocionais, por exemplo.

7. Manter o foco gerencial

Muitos empreendedores passam um grande período tomando decisões relacionadas ao financeiro e, por falta de tempo ou foco, acabam não se dedicando ao core business da empresa.

Para resolver a questão, pode ser interessante terceirizar alguns processos para planejar ações estrategicamente relacionadas à melhoria de resultados em função de eficiência operacional.

Quais as soluções possíveis para minimizar esses desafios?

Utilizar ferramentas de análise

Uma ferramenta interessante a ser utilizada nesse contexto é a análise SWOT. Por meio de um levantamento de grande volume de informações, possibilitado principalmente pelo uso de sistemas e softwares gerenciais, a avaliação consiste na determinação de Forças (Strengths), Fraquezas (Weaknesses), Oportunidades (Opportunities) e Ameaças (Threats) inerentes ao negócio.

Os dados são verificados e trabalhados para reduzir os impactos desses desafios na vida dos empreendedores.

Construir autoridade

Uma empresa que consegue construir autoridade, diretamente relacionado à satisfação de clientes e o market share, é tida como referência e lembrada sempre que houver uma busca pelo produto ou serviço oferecido no mercado.

Por meio de algumas ações é possível acelerar o processo:

  • atraia um tráfego orgânico e associe um alto nível de informação ao nome da sua empresa: mantenha um blog atualizado com posts pertinentes às demandas do perfil de consumidor de seus produtos e serviços;
  • grave vídeos e utilize plataformas de streaming para aumentar o engajamento dos usuários: eles são os principais responsáveis por visualizações na internet;
  • complemente a estratégia com o uso de redes sociais, que deixaram a função de entretenimento para serem ferramentas de comunicação altamente eficientes.

Existem inúmeros desafios do empreendedor que quer alavancar o negócio e alcançar sucesso empresarial. Você conhece mais algum? Deixe nos comentários e enriqueça a nossa discussão!